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crise existencial

O que é uma crise existencial?

Em resumo, uma crise existencial consiste no momento em que questionamos o valor, o propósito ou o significado de nossas vidas.

É usual passarmos por um difícil processo que nos leva a observar além das fachadas das estruturas sociais, de modo que os sistemas de crenças e valores que amparavam-nos anteriormente deixam de dialogar com a nossa realidade.

Ao nos depararmos com a precariedade das coisas que até então acreditáramos ser tão sólidas quanto possível, muitas vezes não conseguimos conceber uma maneira de seguir em frente, e tanto os pensamentos que tivemos como as ações que realizamos no passado parecem-nos obsoletos e desprovidos de sentido.

AS DÚVIDAS QUE A CRISE EXISTENCIAL LEVANTA

Quando estamos passando por uma crise existencial é usual fazermos a nós mesmos uma série de perguntas que em outros momentos nos pareceriam tolas, tais como: “Por que é que nasci neste lugar?” ou “Por que é que estou namorando esta pessoa?” ou “Por que é que sigo esta religião?”

É como se fôssemos confrontados com a percepção de que as ideias e as concepções são relativas, dependendo de localizações sociais específicas.

Referindo-se aos pensamentos que o tomaram em um desses momentos, o célebre escritor russo Liev Tolstói escreveu:

Amanhã ou depois a doença e a morte atingirão a mim e àqueles que amo; nada restará a não ser cinzas. Mais cedo ou mais tarde, tudo o que fiz será esquecido, e eu já terei desaparecido. Então por que fazer qualquer esforço?… Em outras palavras, a questão é: “Por que devo viver, desejar qualquer coisa ou fazer qualquer coisa?”

Outras indicações de que você está vivendo uma crise existencial são as seguintes:

  • Ansiedade;
  • Exaustão mental;
  • Desejo de se afastar das pessoas;
  • Pessimismo;
  • Falta de motivação;
  • Conscientização excessiva da morte;
  • Muito tempo nas redes sociais;
  • Insônia;
  • Ausência ou excesso de apetite

Definida muitas vezes como fruto da “disparidade entre as crenças e a experiência”, uma crise existencial é, de acordo com uma pesquisa realizada no ano passado, algo que nesse momento está ocorrendo com cerca de 48,1% da população.

Desde os mais remotos tempos, os seres humanos foram obrigados a lidar com tais crises. E, nos tempos modernos, elas têm se intensificado cada vez mais. Ao que devemos essa intensificação?

As respostas são múltiplas, e algumas delas podem ser constatadas em nossos veículos de comunicação, nos filmes e seriados que assistimos e nas redes sociais. Nós lemos livros e assistimos filmes nos quais os personagens principais vivem aventuras invejáveis ou encontram os amores de suas vidas, e as redes sociais estão repletas de gente que vive uma vida aparentemente perfeita.

Essa pressão social para nos conformarmos a determinados padrões nos deixa propensos a sucumbir a uma crise existencial cada vez que nos sentimos inseguros em relação a um ou mais aspectos de nossas vidas.

COMO LIDAR COM A CRISE EXISTENCIAL

E qual seria a melhor maneira de resolver uma crise existencial?

Para os filósofos existencialistas, uma corrente de pensamento vigente na Europa do século XIX e XX, entender que os dilemas que enfrentamos não são somente nossos, e que aquilo que consideramos uma maldição pessoal é somente uma das características fundamentais da condição humana.

A abordagem existencialista evidencia que existe um equívoco na crença de que a perfeição está ao alcance, que deve ser deixada de lado.

No entanto, os existencialistas não pretendem deixar-nos angustiados. De acordo com a sua perspectiva, tudo remete ao seguinte fato: nós somos livres para atribuir o significado que quisermos às nossas vidas. E essa liberdade é preciosa, ainda que angustiante às vezes.

Se você estiver passando por um desses momentos, é preciso que se lembre que, quando vivenciada e compreendida de maneira adequada, uma crise existencial pode ser um momento de transformação para o indivíduo – um momento aperfeiçoará seu autoconhecimento, sua maturidade moral e emocional, seu crescimento pessoal e, em alguns casos, seu despertar espiritual.

O sofrimento pelo qual passar estará relacionado, nas palavras do sociólogo Peter Berger, à “convicção de que é muito melhor estar consciente que inconsciente e que a consciência é uma condição de liberdade”.

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